Futebol

Conheça a história da Associação Portuguesa de Santana

No ano de 1973 o estado de São Paulo tinha a Portuguesa como Campeã Paulista, mas na zona norte da capital algo mais aconteceu de especial. Sete jovens moradores do bairro de Santana tinham a rubro-verde como clube do coração e o futebol como a grande paixão, dessa combinação surgiu um clube em homenagem àquele que era o melhor time do Estado.

Jaime, José Renato, José Augusto, João Albertino, Agostinho, João de Souza e Antonio Quintal fundaram a Associação Portuguesa de Santana que estreou oficialmente em 01º de julho daquele mesmo ano. A primeira formação, ainda consta nos registros da equipe que empatou com o Manifesto, do bairro do Ipiranga, em 2×2; a epopeica escalação tem Agostinho (Isidoro), Nenê, Quintal, Zé Renato e Paulinho, Flistão, Zé da Rifa e Varão, Juca, Jaime e Oswaldinho (Rui). O meia esquerda Varão foi o autor do primeiro gol da história rubro-verde e Flistão empatou o jogo.

A histórica estreia teve uma curiosidade, os uniformes da Lusa de Santana não ficaram prontos a tempo da partida, por isso, a camisa rubro-verde deu lugar às camisas do time da Indústria de Joias República.

Em busca de um lugar ao sol não tardou para que ocorresse o primeiro clássico de Portuguesas da várzea paulista. A terceira partida da Portuguesa de Santana foi contra a Portuguesa do Sacomã, esta última venceu por 2×1 impedindo o que seria a primeira vitória rubro-verde de Santana. Porém, o debute viria em um tradicional derby local.

Contra a Sociedade Esportiva Pinheiral, também de Santana, a Portuguesa conseguiu vencer, em um jogo épico, o goleiro Istelito e o atacante Zé Mané fizeram a diferença do time que venceu por 3×2. Deste jogo em diante, a Lusa de Santana embalou 15 jogos de invencibilidade enfrentando fortes times como Corinthians da Água Fria, Estrela do Norte da Vila Maria, G.E.Barra Funda, Palmeiras do Carandirú, Flamengo da Vila Maria, Centro da Coroa, G.E. Maria Zélia, Santa Maria Parque Novo Mundo, Vila Monumento, Vera Cruz da Vila Guilherme, Cruz Vermelha do Itaim, Fradique de Pinheiros, Paineiras do Carandirú, Universiários Ibirapuera, Brazão São Paulo da Água Rasa e Nacional do Bom Retiro.

Já estabelecido no futebol de várzea, a Portuguesa de Santana incorporou o espírito da Portuguesa de Desportos em 26 de junho de 1974. O adversário daquela tarde atendia pelo nome de Corinthians, da Vila Monumento, e vinha com um histórico de 44 jogos sem perder, mas que não chegou ao 45. A Lusa venceu por 2×1 e marcava para sempre seu nome nos campos da cidade de São Paulo.

A coroação viria no ano seguinte, quando a Portuguesa foi campeã do 1ª Festival Esportivo na Praça de Esportes, no Lausane Paulista. De 24 times, foi a Lusa a grande vencedora ao derrotar o Universo da Vila Matilde, na grande final, por 1×0. Foi apenas o primeiro de muitos troféus que viram na história dessa Lusa, que celebrava todas suas conquistas com os tradicionais batuques e cervejas.

Porém, de todas as vitórias e títulos, foi uma derrota por goleada que se tornou o mais importante jogo da história daqueles sete jovens que na década anterior fundaram a Portuguesa de Santana. Em junho de 1985, a Lusa da zona norte entrou em campo no estádio do Canindé, em uma partida contra os veteranos da Portuguesa de Desportos, na preliminar do time principal, que disputava o Campeonato Paulista daquele ano.

Com Miguel, Mendes, Hermínio, Ceci, Isidoro, Badeco, Servílio e Wilsinho, entre outros, os veteranos golearam a Portuguesa de Santana que tinha Beethoven, Petybon, Moisés, Agostinho e Torlay, Quintal, Minusca e Zé Renato, Jaime, Biró e Zé Augusto. Detalhe, é que Miguel evitou o gol de honra dos meninos de Santana, ao defender um pênalti cobrado por Minusca.

Durante toda sua história a Portuguesa de Santana nunca teve um campo pra chamar de casa e isso acabou por fazer a diferença e sendo motivo fundamental para o seu fim. Na metade dos anos 90, com mais de 20 anos de fundação, a Lusa da zona norte não resistiu à volúpia do crescimento da cidade que acabou com a espetacular várzea paulistana.

Porém, se o time deixou os campos, não abandonou jamais a lembrança de seus atletas e nem as lendas que tinham um fundo de verdade. Como por exemplo, que o time fundando por sete torcedores da Portuguesa teve como Presidente um corinthiano que, por ironia, teve dois filhos lusos, apelidados de Zecão e Miguel, sem nenhuma coincidência.

Outra história marcante do time foi quando o então técnico Antonio Quintal precisou alternar seus jogadores em campo, contra o Corinthians da Água Fria. Com mais reservas do que titulares, o professor não teve dúvidas e deixou o time com 12 atletas em campo até que alguém percebesse seu golpe. Certamente, tal façanha foi inspirada pelo lendário técnico Mandrake, o mais marcante comandante da Portuguesa de Santana e que ganhou esse apelido por causa das suas inúmeras tentativas de ludibriar o adversário, como inverter a numeração das camisas, por exemplo.

A lista de histórias é imensa, com direito a troca de socos do capitão Quintal com o juiz, a um erro de caminho que resultou o time todo em entrar num motel ao invés do estádio, a um massagista que trabalhava embriagado e ao inesquecível dia em que o Presidente Dr. Oswaldo Teixeira Duarte e sua esposa compareceram a um dos eventos da Portuguesa de Santana.

Com muitos títulos e muitas curiosidades, a história da Portuguesa de Santana muito orgulha a Portuguesa de Desportos que saúda todos que fizeram do time da zona norte um dos grandes times da história da várzea paulista.